Sunday, December 11, 2011

Mesa de Boteco escolhe melhor bar

A Prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim vai promover um concurso para escolher os melhores bares da cidade. O Mesa de Boteco, como vai ser chamado o evento, será realizado entre os dias 3 de março e 8 de abril de 2012.

Monday, November 28, 2011

Botecos que fazem a nossa história - Casa Villarino


Certa vez minha amiga me ligou morta de saudades.
Tinha deixado o jugo de um ex-marido canalha e se mudado para São Paulo, transformando-se numa poderosa executiva da firma do pai.
Marcamos encontro na Estação das Barcas e saímos andando pela Antonio Carlos na direção do Villarino.
Como é divertido encontrar alguém que se ama de paixão, e que nos deu a grata direção da vida.
Tê-la ao lado sempre foi prazeroso, vizinha de um apartamento acanhado em Niterói.
Nunca achei que aquela mulher descolada, viajada, de dupla nacionalidade, professora de inglês num dos cursos mais badalados da cidade fosse se interessar por mim, ou melhor, que eu fosse me interessar por ela.
Tínhamos em comum a liberdade e os filhos, eu pai-mãe, ela pai-filha. 
A amizade, ou melhor, a relação corria bem até a chegada do ex-marido, um famoso ex-produtor de discos que transformou-se num gigolô de luxo regado a pó. 
Ela, que tinha largado o vício da cocaína e se apegado a cerveja e a cachaça, além de ter que manter o vício daquele puto, tinha que aguentar as grossuras do moço, ralé de lord inglês.
Para se libertar do jugo do destino pediu desculpas ao pai pela vida desregrada, e prometendo mudar mudou-se para São Paulo.
Ainda bem, se não ia acabar virando mulher de bandido, preso que foi o canalha com uma carga de coca no aeroporto de Orly.
Sentados ali no Villarino bebemos todas, jogando charme e contando estórias do passado, relembrando a relação.
Fomos os últimos a sair, caminhando cambaleantes na direção da Cinelândia.
Prestes a tomar a saideira no Amarelinho, ou quem sabe, tomar a direção da cama fizemos o caminho inverso.
Ela pegando um táxi da direção do hotel em que estava hospedada, eu pegando a primeira barca para Niterói.
Sábia decisão que me deixou saudade, e transformou a Casa Villarino num lugar da  minha história.

Thursday, October 20, 2011

Em roda de boteco se come de tudo (e a todas)

Dizem que o Rafinha Bastos, humorista do CQC e a mais influente celebridade do Twitter errou na dose da piada.
Nunca vi tanto ti-ti-ti por nada. Um escândalo para promover uma baranga.
Para mim não errou na piada, errou no foco.
Fosse o alvo uma Luiza Brunet, Adriane Galisteu, Malu Mader, Tiazinha, ou até mesmo a Sabrina Sato vai lá.
Mas Vanessa Camargo? O que que Rafinha Bastos viu de especial nela?
Gostosa? Boa de cama? Grande cantora?
De gostosa ela não tem nada, parece uma rolinha cantante, uma galinha garnizé sem currículo nenhum com grandes pegadores como Falcão, Roger (ex-Flu), André Gonçalves ou qualquer coroa diretor da Globo.
Se a piada tivesse sido "Comia ela e a mãe" até passava.
Dona Zilu Camargo, a mãe, até que está dando um caldo depois de separar do Zezé de Camargo, desfilando por ai com namorados trintões.
Essa revolta toda não se deve ao fato da citação ter incorporado na piada o pobre coitado do feto - que dizem, se ganhar a ação já nasce celebridade - mas sim a uma onda de enquadramento pseudo moralista da era Lula, com censores despontando em cada vertente, desde a imprensa ao ministério Dilma.
Já quiseram enquadrar as calcinhas da Gisele, as bolinadas e boiolices de Valéria e Janete do Zorra Total, o beijo gay das novelas, e por ai vai.
Uma nova geração de Solanges está surgindo, que terão certamente o apoio do Pedro Cardoso, ator e autor de um célebre manifesto moralista contra o nu nas novelas para defender as suas deliciosas crias.
Nesse assunto sou obrigado a concordar com o escroto do Frota: "O Pais está ficando cada vez mais viadinho!"
A piada "Como ela e ..." é corrente em qualquer roda de boteco, rede de vôlei de praia, pelada de fim de semana. Coisa de macho pegador, devasso, que não respeita nem a senhora sua mãe.
Mas como macho agora é coisa escassa, e a mulherada está tomada de um cinismo pseudo-moderno na luta pelos seus direitos, a moda está pegando.
Bons tempos aqueles que qualquer mulher curtia uma piada suja do vendedor de picolé, do gari de rua, do negão desdentado motorista de caminhão ou trocador de rua, para chegar em casa e meter ciúmes no marido dizendo que tinha sido elogiada pelo Rodolfo Valentino.
Valha-me "São" Nelson Rodrigues e sua dama do lotação!

Sunday, September 18, 2011

O Bistronomia Carioca, botequim em casa


Segundo os organizadores do Festival Comida Di Buteco uma das principais características de um verdadeiro boteco é ter o dono a frente do negócio, seja na cozinha ou no atendimento, não só garantindo o potencial culinário do estabelecimento, como também o perfil familiar caseiro. Aqui, um botequim em casa que tem o Chef atrás do balcão. 
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"O botequim em casa BISTRONOMIA CARIOCA se limita a apenas um evento por data, de forma a proporcionar ao cliente um tratamento personalizado, por um preço que certamente ele estará disposto a pagar, para incluir entre seus desejos a deliciosa experiência de comemorar com seus amigos e familiares um momento tão importante da sua vida.
Drinkeria decorada
A concepção de festa do BISTRONOMIA CARIOCA vai além da visão de um simples serviço de buffet, tendo no resgate da culinária brasileira de botequim enquanto gastronomia de bom gosto a sua especialidade.
BISTRONOMIA CARIOCA tenta reproduzir em seu serviço exatamente aquilo que o cliente espera de um bar ou restaurante moderno, com um atendimento que prima pela eficiência e máxima cordialidade.
E para manter a tradição e o pioneirismo de ser o primeiro a levar para as residências, clubes e empresas a verdadeira e original comida de botequim o Chef Byra Di Oliveira possui pessoal de cozinha gabaritado com os apetrechos necessários para execução do BISTRONOMIA CARIOCA durante um período mínimo de 4 horas, e que forma com ele uma equipe de serviço experiente para preparação de toda a comedoria, com pratos e talheres para a degustação.
BISTRONOMIA CARIOCA possui equipe para montagem de drinkeria e bar com chopp e caipirinhas de vodka, cachaça e saquê, e ambientação do local que remete a lembrança que todos tem dos antigos botequins cariocas."
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Foto e texto da divulgação.

Friday, September 16, 2011

Pequeno manual para uma boa caipirinha


PEQUENO MANUAL PARA UMA BOA CAIPIRINHA

A QUALIDADE DO LIMÃO
O limão corresponde a um terço dos ingredientes da caipirinha, só para entender a sua importância na receita. O mais usado é o limão Tahiti. Um exemplar médio, com bastante sumo, é o ideal. Para escolher, uma dica: limões com casca mais lisa costumam ter mais suco. Evite os que tiverem a casca mole: a fruta pode estar passada.

O AMARGO DO LIMÃO NÃO VEM DA CASCA
Nove de cada dez péssimas caipirinhas são amargas, e o limão quase sempre é o culpado.  Para evitar isso não é preciso tirar a casca, mas o miolo branco da fruta (columela) deve ser descartado.

LIMÃO EM GOMOS OU RODELAS, TANTO FAZ
Para conseguir tirar a parte branca do limão, é preciso cortar a fruta no sentido do ponto onde se prende o caule (diferente de como costumamos cortar laranjas para fazer suco). Depois, corta-se novamente pela metade. Assim, a parte branca fica na extremidade e é mais fácil retirá-la. Alguns preferem a fruta em rodelas, cortando as bandas do limão e fazendo um talho de cada lado para tirar o miolo branco. Depois é só fatiar em rodelas fininhas.

QUANDO USAR A COQUETELEIRA
Quando a caipirinha é de limão, prefira sempre fazer direto no copo. Coloque as quatro bandas da fruta no fundo do copo com a polpa virada para cima (assim, você evita macerar a casca e liberar o amargor). O próximo passo é colocar o açúcar em cima e amassar o suficiente para a fruta liberar seu sumo. Mas atenção: macerar demais vai amargar a bebida, mesmo com todos os cuidados anteriores.
Se a caipirinha levar outras frutas, como maracujá e frutas vermelhas, a coqueteleira pode ser usada. O resultado costuma ser mais leve e refrescante.

A ESCOLHA DO COPO
Antigamente só se usava o copo ‘old fashioned’ (copo baixo reto). Agora, todo mundo passou a usar o copo “princesa” (baixo, em formato de “V”), perfeito para a quantidade de ingredientes da caipirinha. Se for usar copos longos é aumentar a receita, exceto a de limão.

USANDO AÇUCAR OU XAROPE
Ambos podem ser usados, dependem mais do gosto do bebedor.
Os mais tradicionalistas não abrem mão do açúcar e gostam de sentir o drinque em etapas (mais e menos doce, conforme o açúcar vai se misturando à bebida).
Já os fãs das caipirinhas mais homogêneas, preferem o xarope, que não deixa resíduos de açúcar no fundo do copo. Fazer o xarope é muito fácil: leve ao fogo em uma panela 2 partes de açúcar para uma de água. Misture até virar uma calda transparente. Coloque em um frasco ou bisnaga e deixe na geladeira (na hora de substituir o açúcar, coloque 4 colher de chá no preparo na bebida).
Em ambos os casos, convém não exagerar na dose: caipirinhas doces demais são tão intragáveis quanto as amargas.

O USO DO ADOÇANTE
Pode, mas vai ser uma economia pequena perto das 150 calorias de uma dose de cachaça ou de vodca. Se ainda achar que vale a pena, usar três sachês de adoçante em pó em cada caipirinha de limão; dois para drinques de tangerina ou kiwi; e um só para frutas mais meladas, como manga.

A FORMA DO GELO
Gelo em cubos, sempre feito com água filtrada, e alguns quebrados para ficar mais refrescante. Depois de macerar o limão com o açúcar (ou o xarope, ou o adoçante), encha o copo com as pedras e coloque um pouco do quebrado por cima. Só depois adicione a bebida alcoólica escolhida.

O TIPO DE CACHAÇA
Não é preciso ser cachaça especial, envelhecida ou aguardente, mas é (sempre) mais indicado usar produtos de qualidade. Bobagem achar que a cachaça artesanal mineira, que você guarda no bar de casa, não pode ser usada para o drinque. Quanto melhor o destilado, melhor a caipirinha.

UMA FRUTA PRA CADA BEBIDA
As bebidas mais usadas para fazer caipirinha – cachaça, vodca e saquê – têm características muito diferentes. Então, é natural pensar que existem frutas que vão melhor com cada uma delas.
Como sugestão use as seguintes combinações:
.Caipirinha de Cachaça – com frutas cítricas, como limão (1 unidade), limão-siciliano (1/2 unidade), lima-da-pérsia (½ unidade) e frutas brasileiras, como jabuticaba (15 unidades).
.Caipirinha de Saquê – com frutas mais delicadas, como uva verde (8 unidades grandes), morango (7 unidades) e kiwi (1 unidade). Não use frutas cítricas nem ácidas.
.Caipirinha de Vodka – é a mais versátil e combina com quase tudo, exceto frutas muito cremosas, como banana e mamão.

USO DE ERVAS E ESPECIARIAS
Atualmente as receitas mais complexas estão bem em alta. Mas algumas combinações são mais bem-sucedidas do que outras. Prefira misturar hortelã com frutas cítricas ou ácidas e pimenta com as mais doces (maracujá, caju, carambola). Tenha parcimônia na hora de adicionar ervas muito aromáticas ao preparo, como manjericão e alecrim, que podem deixar o drinque intenso demais.

CAIPIRINHA NA JARRA, NEM PENSAR
Caipirinha tem que ser no copo, na jarra nunca vai ficar igual. Se quiser fazer dessa forma, o melhor é bater na coqueteleira, ir jogando na jarra e completar com gelo. Para atender a muitos pedidos o ideal é enfileirar os copos, cortar todas as frutas e fazer várias caipirinhas de uma vez só. Assim, todo mundo brinda junto e o resultado é muito melhor.

E quando for servir não esqueça do canudo e do guardanapo. As mulheres adoram...

Texto compilado da matéria “Aprenda a fazer caipirinha”, de Marina Fuentes para o Portal IG-São Paulo, com a colaboração de Gerson Bendzius, mixologista da empresa de consultoria em bares Drink Design, e do Souza, bartender do bar paulistano Veloso.

Sunday, August 21, 2011

Comida de botequim é a aposta de diversão na São Paulo Boteco Week


Agosto é o mês de volta às aulas e também do fim das férias. A São Paulo Boteco Week (SPBW) estréia sua primeira edição para reunir os amigos que querem falar de suas viagens, colocar o papo em dia, relaxar e esquecer que a rotina trabalhosa voltou.
Os restaurante/bares participantes fazem combinações especiais de porção de petisco e bebida, por R$25,00. Entre os participantes, estão: o Bar HigienópolisHotSeriaCasa da SograSotero.
Do dia 20 ao 26 de agosto, o SPBW tem como objetivo a diversão das pessoas com algo tipicamente brasileiro, que é a culinária de botequim. Para mais informações sobre o evento, acompanhe o twitter @SPBotecoWeek  ou acesse o Facebook

www.facebook.com/SAOPAULOBOTECOWEEK

Wednesday, August 3, 2011

Guia de Botequins conta tudo sobre 70 bares e botecos do Rio

O Globo, a Prefeitura do Rio e o Sindicato de Bares e Restaurantes do Rio (SindRio) lançam na semana que vem o Guia de Botequins do Rio, que traz o roteiro de 70 bares e botecos cariocas para não deixar turista nenhum sem dica de um bom petisco e uma refrescante bebidinha.

Com a árdua tarefa de tentar agradar a todos os gostos, o guia tem endereços dos mais sofisticados aos mais simples. Da Zona Sul, ao subúrbio, sempre com muita boemia.
Separada em sete categorias: Tradicional, Para Comer, Lapa (o bairro recebeu um capítulo exclusivo), Torresmos & Moelas, Depois da Praia, Pé-Sujo e Madrugada, a publicação tem todo o serviço dos botecos, como: endereço, telefone, horário de funcionamento e cartões aceitos ou não.
Além de um resumo da história de cada canto, com fotos de quitutes e afins de dar água na boca, o Guia Botequim tem um índice em ordem alfabética para facilitar a encontrar o seu local preferido.

Monday, August 1, 2011

Selo de Qualidade Botequim

Em parceria com o SEBRAE a Italcam (Câmara Ítalo-Brasileiro de Comércio, Indústria e Agricultura) está lançando a 2ª edição do selo Ospitalità Italiana, que reconhece uma verdadeira "cantina".
Se adaptados, os critérios para concessão do selo a um verdadeiro botequim ficariam assim:

1. Identidade:
Deve ter ao menos o dono ou um dos donos presentes no negócio. Nada de gerentes engravatados ou com formação acadêmica;

2. Distinção:
Deve conter um ou mais elementos de decoração que remeta ao imaginário que todos trazemos daquilo que seja um boteco - ladrilhos portugueses, expositor (vitrine), quadro de giz, imagem do santo, mesas e cadeiras palito, etc, etc.

3. Menu:
Deve ser escrito também em carioquês correto.

4. Proposta Gastronômica:
51% dos pratos devem ser tradicionalmente brasileiros, de preferência petiscos, tiragostos e belisquetes.

5. Receitas:
Pelo menos cinco receitas devem seguir a tradição gastronômica de um bar ou restaurante "pé sujo". O modo de preparo deve ser escondido, indicando-se apenas o nome do eleito com a receita, biriteiro frequentador que mais tenha pedido. 

6. Bebidas:
Ao menos 20% da carta de bebidas deve ser de cachaça.

7. Banha e colorau:
Deve ser utilizado no preparo dos pratos e dito aos clientes que não contem colesterol.

8. Chef:
Deve ter certificado em baixa gastronomia ou experiência em restaurantes do gênero.

9. Valorização da cultura:
Declaração de comprometimento em difundir e valorizar a cultura e a utilização de produtos brasileiros.

10. Ingredientes:
Os produtos do boteco deverão ser declarados como saudáveis para acompanhar uma birita, fotografados e enviados para o Comitê de Avaliação. 

Que tal? Só assim vamos deixar de ter lanchonete se intitulando de boteco, e restaurante da moda querendo passar por botequim.

Saturday, July 23, 2011

Aviso! Hoje o boteco não funciona. Amy morreu!

Oh,  Amy!
porque você fez isso com a gente...
Nós que te amávamos tanto
que sofríamos e vibrávamos com suas canções
Em todo esse tempo da nossa convivência digital
vivemos com você seus dramas
lutamos todas as suas lutas
na esperança de ver você se recuperar
e nos dar um pouco mais da sua alegria de viver

Sei que para muitos, como você 
a vida é um choque
difícil de ser vivido com tanta intensidade
Sei que nada é permitido a quem quer essa realidade
Não se ama demais
Não se come demais
Não se chora demais
Não se droga demais
E se permanece vivo para sempre

No fim quando ela vem, a morte
nos leva de roldão a juventude, a inocência
e deixa em seu rastro muita tristeza

Vai ser difícil não lembrar dos seus loucos penteados
da sua pinta no rosto
da sua vestimenta démodé
Difícil não ouvir “Back to Black” e não chorar

E agora, quando sua voz ecoar no rádio
quando sua imagem aparecer em nosso vídeo
como vai ser?

Quanta tristeza você nos deixou...
Melhor assim,
não agüentávamos mais tanto sofrimento
embarcados que estávamos
nessa louca paixão

Monday, June 20, 2011

A Costela no Bafo do Boteco do Adilson, em São Vicente de Paulo

Como diria um famoso Chef de Cozinha galês pra se comer bem e com tranquilidade tem que se sair da cidade.
Assim fiz neste domingo. Dei um pulo em São Vicente de Paulo, distrito da zona rural de Araruama, e fui comer uma "rodízio de costela no bafo" no Boteco do Adilson.
O lugar é meio tosco, misto de buteco com pensão, mas serve uma costela de respeito com acompanhamentos.

A costela é servida na tábua. Pra começar e abrir o apetite a pedida é uma cachacinha mineira que desce redonda.


Assada no forno a lenha a bichinha chega a dissolver de tão macia que fica. É gente de todo quanto é lugar querendo saborear o petisco. É tanta gente que a espera chega a durar uma hora.


Aproveitei pra rebater com "água tônica de quinino", lembram? Hoje tem nome bacana e custa uma nota. Mas lá servem a original.

BOTECO DO ADILSON - São Vicente de Paulo, distrito de Araruama.
Pra chegar tome a estrada no trevo de Araruama, depois de sair da Via Lagos pra quem vem do Rio.
PREÇO - R$ 20,00 por pessoa.

Friday, June 3, 2011

"Não concordamos com a classificação de Botecos da Veja Rio"

O Luis Alfredo escreveu um comentário para o blog "Meu Querido Botequim", de Myrian Lima na bronca com a classificação de "botecos" feita pela Veja-Rio. Segundo ele o boteco de verdade tam várias características, sendo uma delas tomar cerveja em pé.
Abaixo vai a lista dos VERDADEIROS botecos do Leblon, lugares da baixa gatronomia, segundo ele:
1) Boteco do Ivan (Embalo Bar) – Rua Dias Ferreira 113
2) Bar Colinda – Rua Dias Ferreira 420 b2
3) Boteco do Marreta (Bar Marisqueira do Leblon) – Rua Dias Ferreira 420e
4) Boteco do Washington (Novo Rio Lanches) – Av. Bartolomeu Mitre 637a
5) (Boteco do ?) Bigorrilho Lanches – Av. Ataulfo de Paiva 814a
6) (Boteco do ?) Bar Urquiza - Av. Ataulfo de Paiva 814b
7) (Boteco do ?) Lanches Novo Leblon – Av. Ataulfo de Paiva 1237a
8) (Boteco do Oscar) Escondidinho do Leblon – Av. Ataulfo de Paiva 1335a
9) (Boteco do Roque) Figueira da Foz – Rua Humberto de Campos 827/Loja L. Ocupava o local hoje do Bar-Restaurante Chico e Adelaide, da esquina da Bartolomeu com a Dias Ferreira.
10) (Boteco do?) Brotinho Lanches – Rua Humberto de Campos 827/Loja ?
11 e 12) Bar Simpatia e Café Bar Ponto Xis – Rua Cupertino Durão 96a e 96b
13) Boteco do Oscar (Bar do Pedro) – Av. Afrânio de Mello Franco 209b

Wednesday, May 25, 2011

A Comida De Rua da Dona Odete, e seu Coquinho Queimado; e do Gomes com seu Angú

O Rio de Janeiro tem tradições que vão muito além do samba e do botequim.
Sou de um tempo em que o Rio tinha um grande Mercado Municipal.
Ficava ali na Praça XV, e de onde só resta a torre do Albamar.
Tinha o Largo da Carioca, com seus bondes passando por baixo do Convento de Santo Antonio.
Eu era garoto, mas lembro do chororô que foi a demolição de tudo para construção do Edifício Avenida Central (já lá se vão 50 anos!). E também da burra obra da revolução de botar o antigo Senado abaixo para construir aquele feio obelisco no final da Avenida Rio Branco (e de lambuja, logo depois botaram abaixo o Restaurante do Calabouço).
Por ter sido uma cidade imperial, e abrigado príncipes e imperadores, o Rio de Janeiro abrigava a nata da burguesia, por aqui ficarem a sede dos organismos públicos do império à república.
E o centro da cidade era, sem dúvida a espinha dorsal de tudo.
Praça Mauá, Avenida Rio Branco, Praça Tiradentes, Largo da Carioca, Praça XV, e tantos outros lugares do  Centro quem não conhece, por ter corrido atrás de um processo, necessitado de algum serviço público.
E em volta das ruas do Centro a tradição da comida de rua cresceu. Ambulantes, pregoeiros e personagens vários com seus quitutes e guloseimas fizeram nome e fortuna.
Não sou um historiador, mas um simples contador de histórias e na minha seara posso me lembrar de dois. A história e as receitas eu deixo para o pessoal do "Guia Carioca de Gastronomia de Rua" (Editora Arte Ensaio).
Ah, o "Angú do Gomes"! Quantas madrugadas de fartei naqueles pratos de metal. Suculenta iguaria cuja especialidade era premiar com um pedaço de rabo de boi para o freguês, além dos bofes e dos miúdos.
E quando das minhas idas ao médico, no Hospital dos Servidores do Estado não deixava de dar uma passadinha alí pelos arredores da Praça Mauá para me fartar com o "Coquinho Doce Queimado" da Dona Odete.
Dona Odete, que por sinal continua lá na Praça Mauá, agora numa barraquinha padronizada, depois de ter criado os filhos com aqueles pacotinhos de doce de amendoim e coco, acondicionados em papel celofane fechados manualmente com muita técnica.
Outros personagens existirão. As baianas com seus tabuleiros e os vendedores de amendoim, com suas latas de banha para aquecer com carvão.
Mas os dois que eu citei acima servem de exemplo para aquilo que Sergio Bloch e Ines Garçoni tão bem buscaram no seu projeto que se transformou em um Guia.
 

Sunday, May 15, 2011

A Marcha das Vadias chega às portas do boteco

Certa vez me apresentava em uma escola quando me referi a uma garotinha frenética: "Você é muita exibida".
E ela na sua inocência respondeu: "O que é isso?".
A meninas crescem, se tornam mulheres, trajam roupas e adquirem costumes que as fazem "exibidas".
Para alguns, mulheres sentadas na mesa de um boteco, pernas cruzadas pagando calcinha, gestos largos, olhar sedutor é sinal de disponibilidade, de estar a fim.
Tenho amigas aos montes, e as que mais amo são aquelas que mantiveram seu jeito natural e espontâneo, passado vivido a frente do rosto, homens que ficaram e prazeres não esquecidos.
O que leva uma mulher a querer esquecer o passado, e querer deixar de lado o seu ar de "vadia"?
Acho que a maternidade para algumas, a caretice para outras, mas o principal fator é o tal do controle social.
Aos poucos as mulheres vão se submetendo aos critérios machistas da sociedade, e deixando de lado seu modo de vestir, de falar, seu ar de sedução, tudo para estar conforme as regras do comportamento social.
Quanto mais o tempo passa vão deixando de lado a naturalidade em exibir o corpo, de falar o que pensam, de contar suas histórias com prazer.
Não sei, mas a liberdade por que bradaram tantas mulheres do meu tempo ainda não foi plenamente alcançada.
Ainda temem o estupro (real) de homens que acham que seu modo de ser é um sinal verde para o sexo.
Meu amigo Bob Devasso, por exemplo, coleciona em seus relacionamentos afetivos uma quantidade de "putas" a quem amou de paixão. "Quão verdadeiras são estas mulheres!" diria ele.
Nestes tempos de trajar tão igual, mulheres usando ternos iguais a homens, roupas que anulam toda a sua feminilidade, a exibição do corpo feminino ainda é tabu.
Lembro de um dia na TV em que um consultor recriminou uma senhorita candidata a uma vaga de emprego por sua forma de trajar despojada. Sua visão machista carimbou o rótulo: VADIA!
Ainda bem que o movimento Slutwalk (em tradução livre, algo como "Marcha das Vadias"), que espero chegue logo por aqui, está levando às ruas americanas e canadenses, um grupo de mulheres indignadas, em sua maioria estupradas, que clamam pelo seu modo de ser, de se trajar, de se exibir.
Tomara que a menininha exibida da escolinha tome conhecimento da "Marcha das Vadias", e empunhe a bandeira, continuando a ser aquela doce e ingênua criatura, sem medo de ser feliz (e feminina).

Tuesday, April 5, 2011

O dia em que Beto Sanfoneiro tocou na birosca do Ray

A história não sei bem como foi. Só sei que me contaram assim.
Tinham combinado de ir a um churrasco na roça, bem longe das quintas de onde moravam.
No dia anterior a partida a crooner do conjunto veio com uma conversa esfarrapada só pra negar o compromisso da carona.
Ficaram os dois a ver navio, já que o carro que sobrara não dava pra carregar a galera de bicões.
Foi ai que surgiu a idéia de convidarem o Beto, sanfoneiro de mão cheia que não se negava ir num pagode onde rolasse birita à vontade.
Pra convencer o sujeito, que embora sanfoneiro fosse gente de trato refinado, acostumado as mordomias da vida de quem, bem nascido, carrega dinheiro no bolso disseram que o lugar era um paraíso, e que lhe aguardava uma recepção digna de astro de rock, com banhos em cachoeira e praias de belas donzelas.
Se aboletaram quatro num carango, mais quatro no outro, este um belo possante com ar e som de luxo, que claro era do Beto Sanfoneiro.
No meio do caminho, já perto do lugar lembraram que não sabiam o caminho, pois nunca tinham estado lá no tal lugar.
Ligaram pro cara do churrasco pra que viesse até ali pra rebocar a galera em segurança.
Enquanto isso, calor escaldante, a garganta secou.
Bem numa das esquinas da encruzilhada em que se encontravam perdido ficava a birosca do Ray, posto que na roça, seja o nome boteco ou botequim é coisa de fresco.
Como nos velhos filmes de cowboy, poeira, mosca e ninguém não faltavam. Talvez fossem os primeiros clientes daquele dia calorento.
No que sentaram arriaram logo uma meia dúzia de loiras geladas.
Bar cheio de estranhos, gente alegre e conversadeira chamaram logo a atenção de quem passava.
O Ray, de nome completo Reinaldo, melhorou o atendimento e a atenção, pois aquela tarde prometia diversão e bons negócios.
Quando o dono do churrasco chegou já tinha ido quase uma caixa de cerva.
Meio puto - tinha deixado os convidados pra rebocar aquele bando de músicos relaxados -, falou que o lugar era logo ali.
A essa altura o lugar fervia de gente, pois Beto Sanfoneiro tinha falado da sua função, criando a expectativa de que viesse a tocar.
No grupo ao lado, Brasileirinho, peão parrudo e queimado de sol, que costumava bater ponto no lugar, já tinha tomado intimidade, e exigiu:
- Se não tocar, daqui não sai !!!
Ato continuo mandou descer mais três, no que Beto Sanfoneiro sem se sentir intimidado gritou:
- Vá lá no carro e pega a sanfona!
A função começou com "Asa Branca", depois "Carinhoso" e prosseguia nessa levada do nosso cancioneiro quando Zé Cueca, um peão baixinho e desdentado, já com a cara cheia de cachaça começou a puxar o canto de um arrasta-pé daqueles bem fuleiros, de gente criada na roça.
Beto Sanfoneiro não negou suas origens de cara do interior, e deleitou Zé Cueca com um pout-porri que fez juntar mais gente, gente simples das cercanias não acostumada com aquela beleza de sanfona de não sei quantos baixos. E tome Trio Parada Durada - "As andorinhas voltaram/ e eu também voltei..." -, Tião Carreiro e Pardinho, e muitos outros de sucesso do sertanejo original.
O Ray era só sorriso na perereca reluzente. Da caixa e meia que o grupo tomou, bem deixou de cobrar umas dez cervejas.
Pena que foram embora, saindo aclamados como se ali tivesse passado uma Caravana Holiday.
Beto Sanfoneiro, vaidoso chegou ao churrasco contando prosa, cheio de razão, mesmo porque o lugar não era o que tinham lhe prometido, sem mordomias. Teria que dormir no chão e dividir o quarto com os morcegos que não pagavam aluguel.
Meio chateado foi embora de madrugada, deixando na mão a galera, e na birosca do Ray uma bruta saudade do dia em que ouviram Beto Sanfoneiro tocar.

Tuesday, March 15, 2011

O discurso de Obama no boteco da Cinelândia

Vai ser uma festa! Aquele bando de velhinhos remanescentes da passeata dos 100.000 se rendendo ao imperialismo ianque.
Wladimir Palmeira trepado em cima da amendoeira com uma maquininha Kodak querendo pegar o melhor ângulo para a foto dos sobrinhos. Zé Dirceu twitando suas paródias com loas ao capitalismo, e a dinheirama que este o vem ajudando a ganhar. Carlos Lupi e Fernando Bandeira com a velha barraquinha dos tempos do Brizola vendendo gifts e bottons da AFL-CIO.
Velhos personagens em uma nova realidade. Já não existe guerra fria e o Brasil baba o ovo de qualquer um que vier prometendo um assento no Conselho de Segurança da ONU.
Quem diria que um dia eu ia ver esse filme, sem levar porrada da polícia, e me proteger das bombas de gás cheirando as calcinhas molhadas com o xixi das meninas.
Já estou sabendo que o Amarelinho vai ser o ponto de encontro. Todos enchendo a cara, tomando chopp no boteco, esperando a derradeira hora chegar: o discurso do homem..
A garotada da UNE e a pelegada sindical vão estar lá, tietando os assessores do presidente americano, tentando descolar um visto de entrada na terra do Tio Sam para comprar o último Ipad, tirar uma foto com Mickey, ou assistir ao último musical da Brodway.
Afinal, somos ou não somos irmãos dessa grande nação americana?
Em São Bernardo, Lula e Marisa estarão reunidos em "petit comitê" regado a petiscos do Bonifácio diante da tv de plasma de 42'. Presença garantida do Faustão, Ana Maria Braga, Hebe Camargo, Lulinha, e os novos e ricos empresários emergentes. A filial política da Daslu vai ferver!
E se durante o comício, ou melhor discurso, aparecer algum comuna radical, daqueles que não levaram algum da bolsa-anistia, gritando "FORA O IMPERIALISMO IANQUE"?
Vão ter que levar o senhor até ao lado, na velha embaixada americana transformada em bunker, pra jogar o mais novo game de lavagem cerebral: "I LOVE OBAMA, LULA É O CARA!".
Acho que meu nervosismo, minha ansiedade não emplaca até sábado.
Vou ligar pro meu grupelho do Liceu e combinar uma estratégia. Quero estar ao lado do homem!
Não posso perder a visão de estar lá no alto do palanque montado na escadaria da Câmara do Vereadores, assistindo a esse grande espetáculo desse novo Brasil, em que os outrora detratores do capitalismo, que se reuniam na calçada do Paissandu, levando debaixo do braço os caderninhos do CPC, cantando em alto e bom som o "Auto dos 99%", afogavam às mágoas da ditadura em altos papos regados a Caninha da Roça.
Nem pensavam que um dia iam estar do outro lado da mesa, sentados no Vilarinho, tomando whisky importado, ao lado da galera da Hilary.

Thursday, December 23, 2010

Guia Rio-Botequim a partir de 2011 no mundo virtual

Foi realizado na última terça-feira, o lançamento do guia Rio Botequim 2011, de Guilherme Studart, no Espaço Franklin, no Centro.
Editado pela Casa da Palavra, a publicação chega à sua 9ª edição apresentando os bares que se destacaram em várias cidades do estado.
O destaque da noite ficou por conta do anúncio de que, a partir de 2011, o Rio Botequim entrará para o mundo virtual, onde será possível acessar atualizações periódicas, interatividade e aplicativos que facilitarão a vida dos boêmios.

Wednesday, November 10, 2010

Do botequim ao Valqueire

Não que ela não gostasse de comer bem. Muito pelo contrario.
Aos domingos, quando não se reunia com a família na churrasqueira ao lado da piscina costumava ir com as crianças a churrascaria do Valqueire comer uma fraldinha, degustar uma banana caramelada, enquanto o maridão se entupia de chopp regado a anéis de cebola, e a garotada se fartava na batata-frita com catchup.
Tinha ido a "Churrascaria da Lili" pela primeira vez ainda noiva do Ricardo, para assistir a apresentação da banda-cover de um ex-namorado.
Entre seus programas gastronômicos preferidos inclua-se também uma passada pelo trailer do Irajá quando em visita a sogra. A mulher do quiosque, conhecida de infância do marido fazia uma feijoada de camarão de dar água na boca. Quando não era a feijoada era uma sopa de ervilha com bacon, que repetia com gosto para não chegar em casa e ter de se preocupar com o fogão.
Até que um dia ouviu falar, pela amigas do trabalho na "radio corredor", do buchicho da Lapa.
Tomada de uma juvenil vontade queria levar o marido para recordarem os tempos de embalo da turma do IAPC.
Mas como a night do Centro só começa a ferver lá pela madrugada tinha que achar um dia em que a irmã estivesse de namorado novo para dormir na sua casa com as crianças.
A coitadinha da moça, solteirona com seus trinta e poucos anos só achava de se engraçar para uns pé-rapados que não tinham grana nem para o motel, e viviam de se aproveitar dos seus dias de babá, desfrutando de uma noite de luxúria no sofá da sala.
Naquele dia chegar até a Lapa não foi fácil.
Carro enguiçado na Avenida Brasil, blitz da PM, e guerra de facções na comunidade ao lado de onde morava... Mas tinha combinado com as meninas há algum tempo e não podia faltar.
Sorte que o marido Ricardo, soldado da guarnição do 5º Batalhão, que tinha um pé na milícia e uns trocados para aliviar na blitz, estava de folga no bico de segurança que fazia na transportadora do cunhado rico.
Para as amigas do trabalho, todas descoladas boazudas da Zona Sul, a Lapa era café pequeno.
Moradoras, umas da Barra, outras de Ipanema estavam acostumadas a agitação do São Nunca, e aos papos regados a vinho e focaccia do Tizziano, lugares a que eram levadas pelos sarados pit-bulls da academia.
Mas para ela, que mal sabia distinguir a diferença entre Barra e Recreio pouco diferença fazia o lugar, o que importava mesmo era a companhia do Ricardo, imponente príncipe negro por quem era perdidamente apaixonada.
Na mesa era a única casada. As outras todas exímias pegadoras de fim de semana, loucas para encontrar um namorado rico.
Afinal, se no tele-markenting todos gostavam dela não era pela semelhança social, mas sim pelo seu ar simpático, pelo seu modo fashion de se vestir e ser, por sua imensa capacidade de virar o jogo, uma mulher de fé, pronta a fazer de um limão uma limonada.
Depois dos beijinhos de praxe, acostumada a ir ao "Bacalhau da Ilha" nas suas comemorações de casamento foi logo pedindo uma porção dos bolinhos, ao que o garçom respondeu "Pataniscas?".
As amigas explicaram a diferença do nome besta e aconselharam-na a pedir o tal do "Escondidinho".
O lugar servia um a base do fedido peixe com purê de batata baroa que era uma verdadeira delícia.
De novo o estranhamento uma vez que além da batata inglesa do mercadinho onde fazia as compras só tinha conhecimento da batata doce.
E tome cerveja importada, que o Ricardo foi logo pedindo ao saber que Brahma para o lugar não passava de um ícone religioso da "chef" do local.
Foram bem umas 3 horas de balada e já passava das 2 da madrugada, depois de muito chorinho, pagode e rock'n roll, regados a caipirinha de Sagatiba e Absolut com seriguela, a frutinha da moda, que o já porrado marido deu o toque para irem embora, pois tinha de trabalhar no dia seguinte.
Dando como sugestão racharem a conta por todas como manda o figurino do subúrbio levantou-se para um breve xixi e retoque no batom, enquanto o Ricardo fazia papel de cavalheiro, chamando o garçom, para não ficar com a fama de não se coçar.
A essa altura já estavam sendo atendidos pelo maitre, coisa chique que só os cheios da grana tinham direito.
Aberta a nota inevitável foi o choque com o valor da noitada.
Mas aquela altura do campeonato era impossível alguém sair pela tangente. Se oferecer para lavar os pratos (risos), nem pensar... Só nos filmes que via na sessão da tarde.
Alegre e sorridente tinha que morrer com algum na dolorosa, e a única fonte desse algum era o Ricardo que, já totalmente caneado saiu-se com a exclamação final, querendo dar uma de gostosão na frente das meninas do trabalho:
"Deixa comigo! Essa é por conta da minha querida florzinha, a quem eu amo muito, e que merece a vida de rainha que eu dou pra ela!", no que foi aplaudido e ovacionado pela mulherada interesseira da mesa.
Pronto! Tinha sobrado para ela. Ia ter que morrer na malhação da academia para pagar o rombo do cartão de crédito, além de ficar chupando o dedo noites a fio, pois os bicos do Ricardo iam ter de aumentar.
Já no carro, que corria em zigue-zague pela Avenida Brasil botou-se a pensar.
Como é que um lugar tão caro podia ter o nome de "boteco", já que para ela botequim estava mais para "pé sujo"?
Foi quando entendeu a frase afixada no corredor do banheiro, naquele instante em que esperava para retocar a maquiagem:
"BARATINHO É O FILHOTINHO DO MARIDINHO GAY DA BARATINHA DEVASSA".
Certamente tinha errado o lugar da balada.

Thursday, October 28, 2010

Cardápio de comida de botequim homenageia o sambista Nei Lopes

O Rio de Janeiro não é só uma cidade de cidades misturadas.
É também uma heterogeneidade de culturas, hábitos e tradições.
Da "garota de Ipanema" a "mulata bossa nova" toda história é boa para se contar, cantar e comer.
Que o digam Nelson Rodrigues com suas teatrais passagens, Stanislaw Ponte Preta com suas gostosas cariocas, e o multifacetado cronista da negritude Nei Lopes.
Se Nelson Rodrigues atravessou o insólito, Stanislaw ultrapassou a gozação.
Mas Nei Lopes não, ficou alí, de butuca fina em cima do passado, e de lupa na mão fez a história da raça e do Rio.
Em "20 Contos e Uns Trocados" ele passeia por um Rio de Janeiro que já não se vê mais nos cartões postais, e rege a tradição da cidade contando tintim por tintim o que há por trás de tudo que se vê por ai, e que se transformou na cultura Carioca.
Se hoje temos uma rica tradição musical, uma gastronomia que gera a imitação chic, e hábitos cotidianos que todos fazem questão de vir apreciar é porque o Rio renasceu pela mão do pessoal das favelas e das comunidades, não as atuais, mais as antigas da paz e da felicidade.
E foi para homenagear o sambista, escritor, historiador e comendador Nei Lopes que o ESQUISITINHO - BOTECO E BAR VIRTUAL resolveu dar aos seus cardápios nomes dos personagens de "20 Contos e Uns Trocados", para mostrar com todas as letras por onde e pelas mãos de quem a história do botequins do Rio começou a criar tradição.

Monday, October 11, 2010

O lesbianismo que levou ao ataque

"Meu lado gay é lésbico" gritou Bob Devasso em meio ao papo da roda de boteco.
Ninguém sabia ao certo o endereço da frase, nem sua motivação.
Não é segredo pra ninguém que o Bob é um grande canalha, e aos canalhas coube apenas o dom da safadeza.
Mas, porque a declaração? Naquela altura do papo não se falava em sexo, nem tampouco de mulher. Nenhuma citação a algum sem-vergonha que andasse comendo a filha de alguém. O que levaria então Bob Devasso a tão dúbia declaração.
O dia corria frouxo, segunda mais de sem graça, noite fria mais chegada a um conhaque do que a uma cerveja gelada.
O bar com movimento fraco, todos esperando o fim da novela das oito para sairem tranqüilos para casa e aturarem dona mocreia com a cara de poucos amigos.
Foi quando alguém percebeu que o Bob não havia chegado. Impossível crer que ele não estava ali para marcar o ponto.
Serginho Birinaite convidou os três ou quatro que ali estavam a esperarem mais um pouco. Quem sabe o Bob não tivesse sido convocado para alguma tarefa importante no lar, e dai o motivo de estar atrasado.
Não que ele fosse daqueles de subir em escada para trocar uma lâmpada, mas vamos que tenha ido a farmácia pra comprar um melhoral pro Zézinho e não encontrou. Estava rodando por ai e pronto, perdeu a hora do ponto na mesa do bar.
Eis que de repente, atrasado mais de 1 hora chega o Bob todo feliz.
Estava vindo de casa onde ficara assistindo parte do debate político da televisão.
Logo de cara Serginho Birinaite foi cortando: "Política aqui, não!"
Todos tinham as suas preferências de eleitor, mas ali só valia papo de futebol e mulher.
Continuaram a conversar amenidades naquela noite chata quando Bob veio com a antológica frase - "Meu lado gay é lésbico".
Quando chegou em casa vindo do bar Serginho Birinaite quiz saber do filho mais velho antenado em política e internet como tinha sido o debate.
O garoto contou da agressividade da candidata contrária aos viés político do pai com o seu oponente, sem uma razão aparente, sacada meio assim do nada.
Ficaram ali a se perguntar o por que, quando o garoto mostrou para o pai um email que tinha acabado de chegar contando de um tal processo de uma empregada contra a candidata.
Batata! Foi ai que Serginho Birinaite conseguiu entender a exultante manifestação de Bob Devasso no botequim.
Meio que sem querer, e meio que proibido pelas regras da roda do boteco tinha feito a sua declaração de voto.

Friday, October 8, 2010

No botequim do Xexeo

Para mim, jornalismo e botequim sempre estiveram ligados.
Não existe jornal que não tenha um bar ou um botequim no seu caminho, assim como não existe jornalista que não tenha uma cadeira cativa em algum boteco da vida.
Dias de fechamento, madrugadas na expectativa de um fato ou final de algum acontecimento mais trágico e aterrador, sempre terminaram na mesa de um bar.
Botequim e jornal tem a ver com fome. Fome de notícias, fome de barriga vazia a procura do que comer após muito trabalho.
Na minha curta passagem por um jornal, o tablóide "LIG", em Niterói como "jornalista" colaborador conheci gente legal, pessoas interessantes que com sua verve e humor me fizeram guardar boas lembranças de um tempo difícil.
Para mim, e pra qualquer jornalista a convivência com a birita nunca foi um impedimento para a livre manifestação do pensamento com alguma inteligência, mesmo que atropelada por alguma besteira.
Acho que foi dessa junção, da união jornalismo e botequim que deve ter nascido o termo "filosofia de botequim".
Tive também um tempo que além de escrever pra jornal andava pelas redações das rádios e jornais divulgando meu projetos culturais.
Tribuna da Imprensa, O Fluminense, O Globo, TVE, Manchete, todos tiveram jornalistas famosos com cadeira cativa em algum boteco, e a mim fizeram atravessar os tempos de excessão política com um gosto de liberdade na boca.
Não digo que todos estes veículos de comunicação estivessem localizados bem em frente a um botequim, mas como ponto de encontro de jornalistas, todos inscreveram sua história em algum.
A exceção ficou por conta de um único jornal, um quase sucessor literário do Correio da Manhã que a megalomania dos donos, associada aos deslumbres do "Brasil Grande" da ditadura militar fizeram se afastar da antiga sede na Rio Branco e ir pra bem longe da vida política do Rio. 
E foi no prédio do falecido JB, na Avenida Brasil, lugar em que a cultura fervia em cada letra que, junto com o Fluminense, em Niterói, desfrutei meus melhores dias de "jornalista".
Ambos com as rádios ditando os rumos da "MPB" e do "Rock Brasil", e seus jornais lançando pra história grandes personagens do jornalismo brasileiro.
E foi lá, no JB que conheci Artur Xexeo. 
Não digo que como amigo, mas profissionalmente fui recebido algumas vezes em sua mesa, local quase impossível de alguém fora do meio se aproximar.
E hoje ao abrir pela primeira vez seu blog (abaixo), escaldado pelas suas abrobrinhas na CBN, e seu perfil de pop-star na TV, me reencontrei com esse tempo ao me deparar com um post digno de qualquer "roda de boteco", e repleto da chamada "filosofia de botequim". 

"O MANTRA DE RO-RO E A CURIOSIDADE DE LAURA"

"Foi o momento mais divertido da televisão na semana passada. No programa de Amaury Jr, na Rede TV, Angela Ro Ro era entrevistada por Amaury e pela modelo e apresentadora Laura Wie. Às sextas-feiras, Amaury transforma seu programa num talk-show e divide a bancada de entrevistador com Laura. Amaury não conseguia disfarçar que queria arrancar alguma resposta polêmica ou escandalosa de Angela. Mas a cantora se manteve firme em sua fase careta. Até que, na última pergunta, quando a entrevista já estava praticamente acabada, o apresentador qui saber: como Angela Ro Ro define Angela Ro Ro? A cantora não se segurou e, antes de dar uma gargalhada, soltou uma de suas piadas típicas: “Eu agora tenho um mantra: ‘Chupanenê’”. 


Todos riram à beça, fizeram cara de fim de festa, e o programa poderia terminar não fosse o quase inexplicável interesse de Laura Wie pelo tema. 


— Isso significa que você está ligada a alguma religião oriental? 
— Não. É mais uma religião sexual — responde Ro Ro. 


Laura não entendeu e, curiosíssima, quis saber mais sobre aquele estranho mantra, provavelmente em sânscrito, que Ro Ro usava como oração: 


— Mas quando você usa o mantra? Em que momento do dia? 
— Ah... em qualquer momento. 
— E ele te traz harmonia? Ele te traz paz? O que ele te traz? 
— Digamos que ele me traz orgasmos. Chupanenê, entendeu? Chupanenê! 
O que começou engraçado, tornou-se constrangedor. Amaury não soube interromper a bateria de perguntas de Laura: 
— Mas onde você pratica o mantra? Você procura um cantinho? 
— Não. Pode ser em qualquer lugar. 
— Até dirigindo? 
— Não! Dirigindo não! — revoltou-se Ro Ro. 
E foi assim, até Amaury Jr. desejar boa noite a todos."

ARTUR XEXEO

Saturday, September 4, 2010

Petiscagem de Boteco em Pernambuco

Para quem pretende viajar no feriadão vale a pena dar um pulo em Pernambuco e aproveitar pra dar uma passada em um dos 23 bares e botecos participantes do festival Roda de Boteco, evento gastronômico que acontece também na Bahia, Espírito Santo e Brasília.
Para estimular a participação da clientela, foi criada a promoção "Sou Botequeiro". Os petiscos provados dão direito a selos, que podem ser trocados por brindes do festival.
Outra novidade da edição 2010 é que todos os pratos são inéditos, com preços que vão de R$ 10 a R$ 25.
Os consumidores podem votar no boteco predileto nos quesitos Melhor Tira-Gosto, Temperatura da bebida, Atendimento e Higiene.
Os participantes locais são Antiquário, Banguê, do Cabo, do Dunga, do Gilvan, do Guaiamun, do Márcio, do Zaqueu, Buchada's, Cachaçaria Minha Deusa, Café com Graça, Caldíssimo, Chopperia & Companhia (que serve o Namoro na maré - Patricinha e Mangueboy, na foto), Derbilhar, Fiteiro, Maloca do Alemão, Mercado Rosarinho, O Petisqueiro, Paranóia do Mar e Varanda do Galo.

Mirai e o II Festival Samba e Botequim

A “pequenina Miraí”, cidade da Zona da Mata mineira realizará a segunda edição do Festival Samba e Botequim nos dias 10, 11 e 12 de setembro/10.
Quinze sambistas concorrerão ao prêmio de R$24.000,00 (vinte e quatro mil reais); dez bares servirão deliciosos tira-gostos, enquanto... Os shows rolam com Aline Calixto; Clarisse Grova; Inácio Riose; Arlindo Cruz; Mamão; Ases do Samba, além dos Grupos Deixa Rolar (Miraí) e Sambloco (Muriaé).
A festança que acontece no Largo da Rodoviária (Centro) é uma realização da Fundação Cultural Ormeo Junqueira Botelho com iniciativa da Dynamis Internacional. O patrocínio é da Energisa através da Lei Estadual de Incentivo á Cultura.

O Samba e Botequim está constituído a partir de três atividades básicas: o concurso de sambas originais e inéditos; os shows com grandes nomes do samba e o festival de culinária de botequim.

Ficou animado? Confira maiores informações no site http://www.sambaebotequim.com.br

Tuesday, August 10, 2010

Vou levando a vida

Está difícil botar o livro para fora.
Capa  pronta, todo editado mas, cadê a grana para produzir.
Minha divulgadora já tem até o esquema de lançamento bolado: blitz de bar em bar, regado a chopp e tiragosto.
A editora que ia bancar o projeto queria só para 2012.
Até lá já tinha morrido e neca de catibiriba.
Enquanto isso vou tocando a vida me matando de tanto trabalhar.
É a cozinha, o sítio, a fundação. Pouco paro no Rio pra curtir os agitos de Copa.
Também, pudera morar com sogra ninguém aguenta (deixa ela ouvir eu falando isso, tô morto e no olho da rua!).
Na roça tá um frio de lascar, sei que lá também.
(eta falta de conversa danada...).
Só me resta engrossar o côro: CALA A BÔCA DILMA!!!

Sunday, June 27, 2010

A amiguinha lésbica de Bob Devasso

"Conheci minha amiguinha lésbica quando fazia uma besteirinha de trabalho para a firma em que ela era secretária. Chegou a mim por um classificado de jornal, e logo que dei de cara com a figura percebi sua opção sexual.
Fumando muito, com aquele jeitão de lutadora de boxe fugindo de um "jab" trazia no olhar a doçura de uma menina desengonçada, cheia de respeito diante do profissional.
Em meio a balburdia do show-room da imobiliária comecei falando de alguns projetos que havia desenvolvido, e das opções que a firma tinha para me contratar. Mesmo sacando que ela não gostava de homem queria deixar uma boa impressão, seduzir para conquistar o contrato.
Convidei seu chefe para participar da reunião e este, meio sovina quis saber do custo da minha visita, por considerar que ali o trabalho não iria render. Realmente no meio daquele entra e sai de gente procurando apartamentos para alugar por temporada não era o melhor lugar para se trabalhar num projeto daqueles.
Entusiasmada e com a carta-branca do chefe marcou comigo no Bip Bip, o simpático boteco da Almirante Gonçalves próximo a firma. Depois de duas cervejinhas fomos andando a pé até o seu apartamento. Ambos os lugares, trabalho e residência ficavam em Copacabana, bairro cheio de mistérios e encantamentos.
Ela morava num daqueles prédios lotados de quitinetes, com um porteiro com cara de novela das oito, tremendo "Copamar" antes da síndica durona que, como toda quitinete de Copa era apertada, transformada num loft meio improvisado.
O clima dentro da casa era animado. Sua namorada, uma pretinha gostosa, cismava em querer atrapalhar a reunião da gente, morta de ciúmes. Nem precisava, estava ali a trabalho, e na ativa quero o meu na mão.
Já mesmo antes, quando estivemos juntos na firma, senti que as duas tinham uma relação conturbada. O telefone tocando a toda a hora, e as intervenções, que beiravam o baixo astral não indicavam qual das duas tinha a pomba-gira mais agressiva.
No apartamento, um laptop cheio de defeitos, com fotos de sacanagem na tela, e endereços de sites pornográficos misturados aos arquivos de trabalho foi colocado a minha disposição numa posição tão desconfortável que fazia que eu, todo torto na cadeira ficasse bem de frente para tudo que acontecia na sua vida privada.
Com as duas morava uma outra garota, esta de programa, não sei se lésbica também.
Quando cheguei estava com os peitinhos a mostra, durinhos, por trás de uma blusa de seda, e os cabelos tintos de louro com aquela cor de água oxigenada. Depois saiu para tomar banho.
Meu rabo de olho não permitiu ver se tinha uma bunda gostosa, mas era saliente a garota, com aquele ar de "quem quer pagar" toda espevitada.
Envolta numa toalha voltou ao loft faminta, buscando restos de comida para alimentar seu corpo glamoroso. Acompanhei toda a sua preparação para o novo programa, suas entradas e saídas penteando o cabelo, se maquiando, arrumando a roupa bem em frente de onde eu estava sentado, sempre por trás do balcão em que faziam as refeições, e eu só conseguindo lhe ver da cintura para cima.
Um detalhe: toda a vez que a geladeira abria saia um odor de azedo, aquele cheiro de comida estragada própria de gente sem tempo. Uma pena que o doce perfume de banho ficasse misturado ao ar daquele lugar meio podre.
Minha amiguinha lésbica, preocupada em administrar o apartamento não conseguia sossegar o rabo para prestar atenção naquilo que eu estava propondo, reclamando com as duas a todo instante de cada detalhe que visse de errado. Dizia para mim que estava entendendo, que queria assim ou assado, e que isso ou aquilo me passaria por email.  Seu olhar e atenção estavam voltados o tempo todo para a zona que era aquele lugar. Mais puta ficou quando soube que não tinha comida para comer.
E assim foi indo o trabalho. Daquele encontro em diante voltei só mais uma vez ali.
Com a cabeça fantasiando orgias ficava esperando por um novo convite. Mas nada, só madrugadas ao telefone, e emails sem fim até aprontar o trabalho, que por sinal ficou uma merda - para ficar mais barato ela optou que eu lhe ensinasse a fazer, e para aquilo não tinha a menor criatividade. Mas me senti confortável por ter conseguido terminar o trabalho.
Voltemos a nossa amizade. Nos afastamos um tempo, ela foi demitida da firma, e eu fiquei sem saber como andava sua vida.
Até que um dia ligou, me fazendo um convite para montarmos juntos uma agência de garotas de programa. Minha delicada recusa criou o vínculo que temos até hoje.
Está de namorada nova, ciumenta como sempre, morando no mesmo sórdido apartamento que a encontrei pela primeira vez."

Tuesday, June 15, 2010

Canalhice não é cafajestagem

Bob Devasso é um personagem recorrente em minha vida.
Conheci-o nos tempos da faculdade freqüentando os mesmos botecos que eu.
Naquele tempo tentava afogar a covardia de não ser um engajado na luta armada contra a ditadura nas doses de Riopedrense que era moda beber.
De política o Bob fugia como fugia também da mocreia que vivia enchendo seu saco, e com a qual era casado.
Tinha dois filhos lindos o puto, os quais gostava de exibir aos amigos que não saiam da sua casa, onde rolava sempre muita música e cerveja.
Nossa amizade começou a crescer a partir do dia em que eu o levei a um show do Milton, onde o protesto não ficava só nas canções mais também no comportamento.
Acho que foi dai que lhe acrescentei ao apelido a alcunha de 'devasso'. Sentado no chão atrás de uma tremenda gata empatolou-lhe as mãos nos peitos enquanto soltava o vozeirão ao ritmo de "Travessia".
Dormiu no sofá naquele dia e pegou gosto pela devassidão.
Passava madrugadas ao violão cercado sempre de muito papo e sacanagem distribuída nas matinas por drogadas menininhas, para as quais o Bob era um careta pois só gostava de tomar cachaça, conhaque ou cerveja.
Gostassem ou não Bob era um filósofo. Suas sacadas existenciais eram únicas e lhe valiam os aplausos que gostava de receber.
Sujeito de inúmeras virtudes, entre as quais a de implicar comigo me chamando de canalha, se fazia respeitar aos berros com sua voz de tenor. Bastava uma mulherzinha se achegar da mesa de qualquer botequim que a gente sentasse, e ele lançava no ar a maldição “Birão é um canalha!”.
Foi assim, sem explicar por que por muito tempo. Até que apareceu uma zinha por quem me apaixonei e ele derramou mais uma vez os seus minutos de glória.
“Canalha é canalha, não tem moral” disse.
“São capazes de comer a filha, e sem nenhum pudor, comer a mãe. Meu amigo Birão não chega a esse ponto mas é capaz de dispensar a namorada na porta com a outra deitada na cama.” Rubro de vergonha não interrompi.
“E como todo bom canalha Birão não consegue ver na sua frente os costumes, os mais enraizados em nossa sociedade quando se trata de mulher. Não liga para compromisso, relação, aliança, e é capaz de dividir a mesma cama com mais de três.” 
Preste a perder a namorada cochichei no ouvido da moça que a definição cabia mais a ele do que a mim. Mas Bob não estava nem ai para a minha infelicidade. Queria dar seu show, filosofar mesmo que isso lhe custasse a minha amizade. Mas toda grande estrela tem sempre um bom final para sua apresentação, e nessa ele quis demonstrar sua amizade por mim.
“Mas existem os canalhas que ultrapassam essa barreira e se tornam uns cafajestes, e meu amigo Birão, um bom sujeito é apenas mais um canalha”.
A mesa cheia de vagabundos, bêbados e drogados clamava por uma definição. Embora palavras sinônimas qual seria a diferença entre o canalha e o cafajeste na concepção do Bob Devasso?
“O canalha não esconde com quem transou; o cafajeste sai contando para todo mundo. O canalha respeita a lágrima; o cafajeste dá porrada. O canalha adota a tática do cavalheirismo para chegar no alvo; o cafajeste é mal educado, só pensa em si, e é capaz até de cuspir no chão. E por ai vão as diferenças.”
A namorada lascou-me um beijo na boca, toda orgulhosa do canalha que tinha ao lado. E o Bob continuou.
“E o pior cafajeste é aquele que tem dinheiro no bolso. Aquele que agride uma empregada doméstica pensando ser prostituta. Aquele que leva viado para motel, e depois arma um barraco para não pagar, dizendo que nem desconfiava que era. E mais... Que é capaz de enrolar uma pobre donzela suburbana, prometendo casamento só para levá-la para a cama, e depois largar a coitada, apaixonada, na rua da amargura. O canalha lida com o igual; o cafajeste com a diferença. Nenhum dos dois tem alma, mas o cafajeste não tem mãe. E se a tem é dona de um bordel.”
Orgulhoso por não me enquadrar na definição de cafajeste que o Bob encontrara fui para a cama com a burguezinha que viria a ser minha futura mulher.

Monday, June 7, 2010

A Ninfeta do boteco

Tinha só quatorze aninhos quando ele a conheceu passando em frente ao botequim onde tomava umas cachaças.
Era uma dessas morenas gostosas que desde de criança já parece uma mulherzinha.
Uns peitões de mamão, uma boca carnuda, uns cabelos negros, soltos, caídos sobre o ombro, e aquele sorriso ingênuo cheio de felicidade.
Mas tarde descobriu que era afilhada de uma grande amiga sua, a quem pediu permissão para que viessem a trabalhar juntos. Cheio de boas intenções não lhe passava pela cabeça qualquer transgressão a lei.
Não foram poucas as ocasiões que desfrutou do prazer da sua companhia, prazer de brincar, correr e pular atrás da garotada. Era a juventude perdida dos seus tempos de criança. Levantava o seu astral em qualquer ocasião que beirasse a tragédia.
Certa vez seu carro, uma perereca velha, modelo Parati-83 a qual todos nós chamavamos de "margarida" enguiçou, bem ali, em cima do Rebouças, bocada do Morro dos Prazeres em Santa Tereza.
Chovia canivete e a perereca velha de guerra nada de pegar. Saíram os dois na chuva a empurrar o carro, ela a sorrir da situação, cabelos molhados sem medo do perigo, se divertindo do inusitado da situação.
Não foram poucas às vezes que quase tentou...
Numa outra, os dois sozinhos, de galinhagem, brincando que nem criança, dançando ao som da música que rolava na festa. A vida deles era assim, só diversão. Também, pudera eram atores, animadores de festa de criança e as suas vidas era só zoação. O jogo deles era esse: só sedução.
E ela crescendo, e ele vendo a mulheraça que surgia. Suas cantadas levavam em conta sempre a grande diferença de idade que existia entre eles. Tinha que ser sutil, conseguir primeiro pelo menos um olhar, sua atenção.
Um dia a convidou para almoçar, numa boa... Cheio de fome queria entrar no primeiro botequim que aparecessese pela frente para matar um PF, e ela na sua santa ingenuidade emburrou uma cara, e recusou: "está pensando que sou dessas" exclamou. Tinha só dezesseis anos.
Estava crescendo depressa e o seu tempo vital se escasseando virando amigos.
Depois, cada vez mais afastados e unidos apenas por um número se pendurou no telefone para ver se a convencia que não podiam se separar. Ela rindo e fingindo que não entendia nada.
Até que um dia cresceu de vez, virou mulher nos braços de outro, se apaixonou e se foi.
Sentiu sua falta... Era seu sonho de uma paixão terminal indo embora.
Até que hoje, desligado do mundo, apaixonado pelo seu trabalho de mergulhador o telefone tocou e ouviu de novo a sua voz.
Sete anos tinham se passado, ela foi atrás e o achou. Cheia de charme, toda mistério, mulher adulta, sedutora, deixando fluir aquele gosto de pecado através da voz.
Casada, mãe de um filho, lhe fez uma confissão: "Sempre nos demos bem... Gosto do que aprendo com homens mais velhos!".
Diante da sutileza da insinuação teve que se manter equilibrado, sem perder a linha, aquele dom de paizão que sempre teve com ela.
Do papo lhe restou apenas a saudade do tempo em que ela ainda era uma criança, e com essa vontade, esse tesão enorme que não o faz perder a esperança de que um dia ela seja sua mulher.

Sunday, June 6, 2010

Na sordidez de um boteco

Boteco chinfrim aquele.
Mesas e cadeiras enferrujadas misturadas a um monte de engradados de cerveja encostados num canto.
No balcão, uma pequena vitrine com três coxinhas de galinha de anteontem. Dava para sentir quão frias e geladas estavam, já que o ambiente de quente só tinha a cachaça.
Nada ali lembrava a elegância e o charme do botequim da praia de onde ele tinha saído, e enchido a cara cheia dos números da reunião de negócio.
O pneu do carro havia estourado, e a barriga arrebentando da farta comida do almoço. Tinha que botar para fora.
Antes de entrar já tinha chamado o hugo junto ao pé da árvore na calçada.
Mas por um acidente do destino estava ali.
A cabeça confusa não conseguia distinguir a diferença entre aquele lugar e qualquer outro boteco da moda de Ipanema.
Estava à procura de um sonrisal que fosse, e um copo d’água que fizesse o pozinho borbulhar.
Logo que entrou viu na prateleira aquilo que buscava. A estante mais parecia um balcão de farmácia: engov, eno, leite de magnésia, aspirina. Até uma réstia de camisinhas desbotadas tinha.
O olhar delirante passou batido em direção ao banheiro. Tinha que dar uma cagada e colocar para fora aquilo que me confundia o seu estômago.
A porta sem tranca mostrava o vaso sanitário todo respingado de merda, e as paredes repletas de inscrições, todas banais, de baixo calão.
Nessas horas o sujeito não consegue perceber a higiene. É a necessidade, o sufoco, o aperto da barriga, ou da bexiga querendo urinar.
O primeiro movimento saiu pela boca. Um vômito meio esverdeado de um fígado cambaleante. Depois veio o bolo de mignon digerido com vinho, uma merda fedida, mole e nojenta.
A entrada, no que passou pelo balcão até chegar ao quartinho pediu ao dono do estabelecimento alguma coisa que parecesse papel.
Nem precisava ser macio como a neve, bastava apenas que cumprisse a função. Quando moleque pobre de subúrbio cansou de usar a folha do caderno da escola, aplicando a técnica de amassar antes. Passou no cú a tinta do jornal com a notícia da sacanagem dos caras com a flotilha da liberdade. Não sabia por que, mas o nojo que sentiu pelo noticiário era maior do que o que sentia pelo vaso sanitário
Com o rabo velho limpo foi logo procurando pela descarga. Não queria deixar nenhum vestígio da sua passagem por ali. Gritou ao dono do boteco perguntando "onde ficava a descarga" e este lhe respondeu dizendo que mais tarde jogaria uma lata d’água para limpar a fedentina.
Estava se sentindo um sórdido bebum, caído na sarjeta, envolto em cheiros e perfumes os mais desagradáveis, percebendo naquele momento a miséria de qualquer cachaceiro de rua.
Mas se sentiu satisfeito ao completar aquilo que fora fazer ali.
Depois do copo de água borbulhante com aquele santo remédio foi aos poucos voltando a normalidade, louco de vontade de beber uma gelada. Pediu uma que, sem lhe negar, desceu redonda como o slogan que a propaganda lhe deu.
Com a cabeça no lugar teve a idéia de retribuir o favor, como se não fosse uma obrigação da lei manter um bar com um banheiro decente.
Do sujeito atrás do balcão ouviu a resposta que lhe pagasse apenas o que devia. Na certa ele não era o primeiro a derramar o porre pelo seu chão, ressaqueado.
Mas como não era daqueles que se submete a trama insistiu, perguntando o que havia para comer, além das defuntas coxinhas.
Veio a surpresa. O cara lhe trouxe um prato de um suculento mocotó, repleto do que sobrara do almoço, acompanhado por uma garrafa de farinha, o qual derrubou na hora.
"Divina comida!" exclamou As colheradas quentes aquecidas pelas gotas do molho ardido de pimenta foram descendo, e se acomodando como uma luva em cada tripa da sua barriga.
Bem, para não ficar encompridando a história digo que ele pagou a conta antes de repetir, bebendo o último copo de cerveja, a terceira garrafa que matava, já intimo do lugar.
Ainda no táxi sentiu de novo a sensação, a revolução, desta vez causada pelo mocotó barato de um boteco vulgar.
Mas ai, Inês já estava morta, e envolvido no conforto do seu apartamento, pijama trocado adormeceu tranqüilamente tendo a certeza de que o guincho da seguradora rebocaria o carro, e o deixaria cara limpa na garagem a espera da sua próxima bebedeira.

Tuesday, May 25, 2010

O VALOR DE UMA AMIZADE

Sentado no balcão do boteco eu perguntei ao homem “Quantos amigos você tem?”
Ele me respondeu “Nenhum! A todos perdi no vendaval da vida.”
E continuou “Aos amigos doei uma parte de mim. Com eles sorri, chorei, senti e fui feliz, e hoje vivo só!”.
Ofereci-lhe um copo de cerveja e perguntei “Por quê?”
“Havia em cada ser humano que eu conhecia e reconhecia como amigo uma capacidade de amar que despertava em mim o sonho, e que depois se transformava numa angústia de eternizar para sempre a nossa relação” continuou com a voz sofrida.
“Nessa minha vida encontrei e vivi momentos de prazer com muitas pessoas, desfrutando a esperança universal de viver em um mundo melhor, realizando sonhos, um mundo muito mais rico em conhecimento e bem estar” disse-me ele com toda a sabedoria.
Depois de mais um gole de cerveja não pude evitar em querer saber “Mas se foi assim tão feliz porque a solidão?”
“Nem tudo na vida é felicidade. Nos meus amores fui infeliz. Deixei-me tocar de maneira errada e fui consumido pela paixão ao invés de me dedicar a ser um bom amigo. Não percebi que amar demais acaba redundando em compaixão, levando a loucura o ser humano.”
“Mas mesmo me sentindo feliz ou triste consegui que as amizades rendessem bons frutos, para mim e para elas, frutos que, no entanto não foram suficientes para mantê-los para sempre junto a mim.” 
Seria esta expectativa a causa da solidão deste homem? Encheu o copo tomou nas mãos um cigarro e foi adiante:
“Hoje sei que procedendo assim, com tanta intensidade devo ter cometido erros. E o maior deles foi falar com sinceridade certas palavras, que soaram aos ouvidos dos meus amigos mais como uma contraposição aos fatos que viviam, ou aos sonhos que queriam viver, do que como verdades que só eu conseguia ver.”
“Gritei para que ouvissem, percebendo os inimigos. Queria tirar do caminho as pedras de uma trajetória brilhante que sonhava fazê-los ter.”
“Sei que não tinha o direito de intervir em seus destinos. Sei que ao invés de me deixar tomar pela emoção tinha que ter tido a força e o poder para lhes doar os elementos que lhes daria os meios de alcançar a felicidade que perseguiam.” 
Pobre homem! As dúvidas na sua cabeça bem tinham a ver com seus cabelos brancos. E eu ali, naquele fim de noite a ouvir suas sábias palavras:
“Hoje me questiono: será que não fui egoísta ao não partilhar o pouco que tinha, e movido pela razão não enxerguei o quanto que precisava daquela amizade?”
No botequim a solidão campeia. Tentei amenizar falando para ele que na vida nem tudo é perfeito, e que nem sempre se consegue aquilo que se quer. Mas ele tinha muito a me ensinar.
“Quando tomado pela razão o sentimento gera apenas insegurança, medo. Medo do infinito, medo do futuro.” Pôs-se a falar já meio bêbado, para me dizer em seguida:
“E foi esse medo, esta insegurança que me fez perder os amigos que tinha, todos, um a um, mesmo sabendo que no fundo de suas almas tivessem a certeza que eu os amava bastante. Que bem dentro de nós ardia a chama da verdadeira amizade. Amizade de pai, amizade de filho, de companheiro, de amante, de irmão.”
Esvaziei a última garrafa de cerveja que o meu dinheiro podia pagar, e quase que abraçado a ele me emocionei com suas últimas palavras:
“Hoje vivo com esta chama ardendo em mim, queimando minha esperança de conquistar um novo amigo.
Não fosse este medo de amar bem que eu queria ter de novo um amigo que apenas me ouvisse... Como você.”

Sunday, May 23, 2010

A Petiscagem Gourmet

Vamos falar a verdade. Quando saímos por ai a procura de um bar para tomar uma cerveja e beliscar uns petiscos, não estamos atrás da marca ou da fama de alguém. Saímos a procura de um lugar honesto, com preços justos, comida gostosa e cerveja.
Em se tratando de acompanhamento para uma gelada todos somos críticos na busca por sabores e acompanhamentos. Se fosse só para matar a fome a gente comprava um sanduba ou um lanche e levava para casa para tomar com a nossa loura.
Mas o que busca o sujeito que sai de um show, uma peça de teatro, um cineminha, ou que apenas marcou um encontro com a turma. Bater um papo, descontrair, ter o que comentar.
Ai vale o ambiente, o lugar do encontro, a mesa de um bar.
E é nessa hora que um bom boteco livra a cara da rapaziada. Entrar num restaurante e ter que enfrentar todo aquele salamaleque, não dá.
O belo dos botecos atuais é que eles não tratam mais o cliente como um morto de fome. É isso que tem, e come!
Cardápios elaborados, chefs atrás dos balcões transformaram todos num crítico gastronômico daqueles, mesmo se tratando de uma simples linguicinha.
E tem mais. Quem entra neste ambiente fica até perdido, tantas as opções que se apresentam.
Aqui no meu "boteco em casa" tenho uma porrada de cardápios, com opções as mais diversas, virando ao avesso situações e desejos.
Para mim cada um tem o direito de comer muito e bem. E de se sentir à vontade para experimentar de tudo.
No mínimo o sujeito vais ter uma 15 opções para se perder de tanto beliscar.
Partindo do princípio que as pessoas me chamam para cozinhar para elas, por ter um hábito alimentar refinado que foge ao simples feijão com arroz tenho que considerar que meu público é, por excelência gourmet.
Não me sinto a vontade nessa história do carioca do "rodízio de petisco". Nem tampouco com a camisa de força da tradição botequeira.
Hoje com os chamados festivais de comida de boteco o cliente está voltando ao antigo hábito, mais do que batido de viver literalmente de bar em bar a procura de novidades gastronômicas.
E é a vocês que não são bestas, nem bobos de trocar gato por lebre, que dedico todo o esforço de me entregar de corpo e alma, e oferecer sempre o melhor da petiscagem gourmet.

Saturday, May 22, 2010

De botequices e botequeiros

Quem acessa o meu site vai encontrar algumas definições de estilos de boteco pouco usuais para os entendidos no gênero.
“Botecos da Central”, “Botecos da Zona Sul”, “Botecos de Celebridades”, “Botecos de Executivos”, como os definir?
Vamos lá!


BOTECOS DA CENTRAL


A região da Central do Brasil, por ser um ponto de confluência da população mais pobre e da classe média baixa é também um ponto de concentração de um tipo de estabelecimento e comida encontrado em outros pontos do Rio de forma bem esparsa. Talvez apenas a região de Madureira e Copacabana tenham tamanho número de bares assim.


Os lugares em geral são pequenos, onde cabem apenas um balcão e poucas mesas quando as tem. Normalmente o freqüentador fica em pé, ou sentado em balconetes junto ao balcão.


A decoração (se é que se pode chamar de decoração o que existe neste estilo de ambiente) é composta por paredes azulejadas, um quadro com imagem de santo, um expositor com as iguarias que irão acompanhar a aguardente ou cerveja; e quando com mesas, toalhas de plástico “linholene” com uma garrafa de pimenta e farinha em cima, e um porta-guardanapo do tipo estojo.


A comida? Estes são lugares onde se encontra a mais representativa comida de bar carioca, os chamados “pratos feitos” ou “pfs”. A petiscagem é realizada com os mesmos ingredientes dos pratos do almoço: pedaços de frango frito, peixe a milanesa, miúdos de porco do feijão. Em outros, porém, o que se tem é a chamada comida rua, lanches em geral


Não é difícil encontrar por lá música de máquina eletrônica e as indefectíveis máquinas de karaoke (ou videoke).


BOTECOS DA ZONA SUL


Para alguns os botequins, tipo os da Central, ou os “bunda de fora” de Copacabana são os "pé sujo", e os bares da moda da zona sul (ou da Lapa) os "pé limpo" ou "botecos de grife".


Não acho que seja bem assim.


Os chamados botecos da moda nada mais são do que restaurantes de estilo jovem que deram uma voltinha por São Paulo para poder se chamar boteco.


Da decoração dos antigos botequins, o ambiente tenta trazer à lembrança as paredes azulejadas, com todo o mobiliário em madeira, e sem o uso de toalhas.


Nas paredes fotos antigas e retratos, uma tradição muito encontrada nos antigos restaurantes portugueses, dos quais a região de São Cristovão ainda guarda alguns.


A iluminação rarefeita é uma outra característica deste tipo de lugar. Pouca luz chama a azaração jovem, e trás a intimidade que só o alcool dá.


No cardápio petiscos saídos do repertório da chamada comida popular brasileira, misturados a toques de criatividade da gastronomia de bom gosto, como ervas, queijos e azeites.


Quando servindo refeições se aproximam mais de uma pizzaria, restaurante ou churrascaria, do que de um botequim.


Música ao vivo ou eletrônica centrada no repertório da chamada MPB, tendo a antiguidade dos chorinhos e sambas é uma tendência deste tipo de boteco.


BOTECOS DE CELEBRIDADES


Nestes o espaço para bebericagem restringe-se cada vez mais ao lounge. Por serem muitos, amplos espaços dividem-se em churrascarias, restaurantes e pizzarias num mesmo endereço.


Possuem discotecas e ambientes de dança e música ao vivo. Todo o material de uso é chic e de extremo bom gosto.


E quando não são grandes locais são bistrôs, o que no fundo dá a mesma coisa em se tratando de decoração clean.


Não posso falar muito deste tipo de boteco (assim eles se intitulam), pois pouco os conheço, mas nos que fui a comida pouco lembra a comida de um botequim.


Dá para notar a mão de um chef transformando aquilo que era simples em alguma coisa sofisticada.


Alias esta tendência às pequenas porções para petiscagem tem levado alguns a se apropriar do conceito botequim mais como forma de se tornar popular.


A decoração de um “boteco de celebridades” usa muito vidro, transparência, claridade, ficando o escurinho para o local de dança, a não ser quando uma varanda permite economizar e aproveitar a luz da rua ou do luar.


BOTECOS DE EXECUTIVOS


Também um ambiente bistrô está quase em extinção, uma vez que a comida fast-food tem tirado da turma do paletó-e-gravata o prazer do uisquinho ao por do sol. Ainda mais agora que a bolsa de valores se mudou para São Paulo.


O que me vem à memória são os restaurantes de comida a quiilo freqüentados pelos endinheirados funcionários das estatais, multinacionais e diretorias dos bancos do centro da cidade, e que ao entardecer insistem em não fechar.


Não vou me deter muito naquilo que penso da definição para o lugar, pois a que tenho é ultrapassada, posto que agora o meu “boteco de executivo” do passado hoje são botecos de celebridade que fecham cedo.


Sei que vou tomar paulada por tudo que é lado, mas como botequeiro que não se apega as tradições e aos regionalismos tinha que me explicar.

Nos botequins da vida

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