Saturday, February 28, 2015

A BRIGA DOS FOODS TRUCKS COM OS VERDADEIROS DONOS DAS RUAS

"Food Truck" português vandalizado
Existe um clima de encantamento e sedução com essa história dos "foods trucks" no Brasil.
Encantamento pelo fato de que todo mundo quer abrir um bar, um restaurante com uma gastronomia diferenciada. Sedução pela facilidade de estar onde o cliente está.
Venho me interessando pelos trucks já há uns 5 anos, muito antes da idéia virar moda por aqui. Sou um adepto da comida rua, a chamada "street food", desde muito tempo e sempre que posso corro atrás de um podrão que tenha qualidade e limpeza.
Na minha opinião, o estouro dos "foods trucks" no Brasil está relacionado em muito a dois fenômenos, o ensino da gastronomia em nível superior propiciado pelo financiamento estudantil, e a facilidade das viagens ao exterior propiciada pelo dólar barato.
Com relação ao ensino superior de gastronomia, não existe lugar para colocar tanto recém formado, basta ver a quantidade de inscritos para estes "realitys show" televisivos. A profissão de "chef de cozinha", que vem sendo carregada por um certo glamour pelo marcado, é pedreira e nenhum garoto classe média quer arranjar emprego num restaurante para começar lavando prato. Todos querem começar por cima, e por cima estão os donos do negócio.
Ai só resta uma solução, montar o seu negócio. Mas ai pega, pois o preço de um bom ponto comercial está pelos olhos da cara. Os filhos de papai até se arriscam, pois ninguém quer saber do seu filho desempregado por ai.
A saída encontrada pelo mercado gastronômico então foram os "foods trucks".
No início encontraram a resistência dos donos de bares e restaurante, que não queriam vê-los estacionados em frente ao seu estabelecimento comercial fazendo concorrência. Tiveram que se abrigar nos espaços fechados sub-locados, ou nos chamados "festivais gastronômicos".
Só que o olho grande dos donos dos terrenos começou a subir, e a diária já chega em alguns lugares a R$ 2.500,00 para estacionar.
Dai antevejo uma outra encrenca, esta resultado da entrada dos "foods trucks" na novela da Globo. O fenômeno "food truck" vai se popularizar ainda mais, e irá crescer a febre dos caminhõezinhos de comida, o que fará que eles tenham de ir para a rua de vez.
Ai vão encontrar a resistência de barraqueiros, topiqueiros, donos de trailers, carrocinhas de tudo que é tipo, vendedores ambulantes e afins.
E estes como não tem capital para montar um negócio que requer por baixo, para ficar legal, cerca de R$ 350.000,00, vão chiar.
Como tem prestígio social e político, leia-se voto, pois em geral são de comunidades com bastante gente que vota no cabresto, a guerra estará declarada e muitos "foods trucks" correm o risco de serem vandalizados, virados ou até queimados, num exemplo pior do que o deste português.
Deus creia que eu esteja errado!

Thursday, February 26, 2015

AS CINZAS DOS 50 TONS DA PAIXÃO DE BOB DEVASSO

Não vi o filme, nem li o livro "50 Tons de Cinza", mas a temática me é peculiar e parece interessante.
Falam de uma história "sensível", no melhor estilo "porno chic".
Meu amigo Bob Devasso, de induvidavel raiz machista, chegou outro dia no boteco querendo levantar a discussão. 
"Toda mulher gosta de apanhar" ironizou lembrando a frase famosa de Nelson Rodrigues.
Não chegaria a esse extremo, mas o sadomasoquismo presente em outras obras de sucesso, permeia as fantasias de homens e mulheres que gostam de sexo. 
Na defesa da sua tese rodriguiana Bob Devasso saiu-se com uma estória. 
Certa vez estava na cama de uma exuberante dama, de hábitos finos e gestos sofisticados quando ela gritou "Me bata!".
Meio que espantado e para não fazer feio deu-lhe um tapinha, tipo aqueles que se dá em bumbum de criança malcriada. 
A dama permaneceu carente em seu desejo e retrucou "Bate mais!".
O pobre do Bob Devasso de mão ardida de tanto tapinha besta, sentiu que não estava agradando, e que na certa iria perder o piteu para um outro carcamano, e perguntou na sua inocência de marinheiro de primeira viagem "Está bom assim?".
Foi quando a surpresa arremeteu-o a insanidade do ato ao ouvir a resposta da bela rapariga.
"Eu quero porrrada, dessas de briga de rua de torcida organizada! " berrou a bela.
Não foi preciso dizer que o hematoma e os arranhões fizeram dele um agressor contumaz, quando ela deu queixa na delegacia. 
Passado um tempo, ela retirou o processo, e ao caminharem pelo calçadão da praia se reencontraram.
Ela toda assanhada, e com um olhar brilhante cheio de desejo exclamou:
"Estou com saudade daquela nossa noite de luxúria! "
Bob Devasso, tomado de um instinto quase animal, saiu correndo numa desabalada carreira, e nunca mais dela falou.
Retomou a história para retirar as cinzas da lembrança, e esquecer dos seus cinquenta tons.